Brasil ultrapassa 1GW de potência em geração distribuída

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O Brasil ultrapassou a marca de 1GW de potência instalada em geração distribuída. Essa forma de gerar energia é permitida no Brasil desde a Resolução Normativa 482 da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e avançou em suas regulamentações com REN 687, que trouxe uma avanço sócio-econômico-ambiental à sociedade brasileira. Apesar desse avanço estamos 20 anos atrasados com relação à Alemanha, que desde 1992 já estava regularizando sua geração distribuída.

A descentralização de estruturas econômicas faz parte de uma nova era em nossa sociedade. Assim como o Uber e Airbnb, o sistema de geração distribuída permitiu o “empoderamento” do consumidor, pois quem escolhe aonde e como gerar sua própria energia é o consumidor. Trata-se de uma ruptura de mercado, gerando uma segunda opção de adquiri energia, além do processo de concessão que nos obriga a comprar à um preço único, sem poder de barganha, no qual define-se com um nome sugestivo, mercado cativo.

Entretanto, ainda estamos aquém do que somos capazes de produzir. O Brasil é um país com uma capacidade enorme em geração solar fotovoltaica, uma fonte democrática, podendo ser instalado em vários telhados em qualquer região do país com ótima viabilidade econômica, e ainda sustentável. É por isso que a energia fotovoltaica é a mais utilizada na geração distribuída no país com 82,6 mil micros e minis usinas e cerca de 870 megawatts (MW) de potência instalada. Mas precisamos evoluir mais em políticas pública, oferecendo créditos com melhores taxas, gerando mais emprego e acelerando a economia. Estamos em uma fase de quedas de juros, nada mais justo investir em geração de energia limpa que traz benefícios para toda a sociedade. Precisamos atingir um ponto de inflexão no qual as parcelas do financiamento sejam menores que o valor da conta de energia, isso certamente permitirá mais consumidores a gerar sua própria energia.

Por fim, visivelmente estamos em um processo evolutivo. Porém precisamos avançar ainda mais em regulação, melhores taxas de financiamento e políticas públicas para atingir uma maior representatividade da geração distribuída, que apesar de 1GW representa um pouco mais de 1% da capacidade instalada no Brasil.

Giuliano Alegretti 02/08/2019
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Giuliano Alegretti

Profissional graduado em Engenharia Elétrica pela UNESP. Especializado em Energia e Automação pela Politécnica de Toulouse/França. Especializado em Gestão de Produto e Análise de Viabilidade Financeira pela FGV. Certificado em Energias Renováveis e Eficiência Energética pela ONU. Experiência internacional com atuação em grandes multinacionais como Schn

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